Direito à Informação no Brasil só depende de nós
A construção de uma mídia alternativa, que valorize os interesses da classe trabalhadora e que democratize a informação, é uma das principais bandeiras de luta do movimento sindical cutista. A fim de contribuir com este debate e reflexão, a FEM-CUT promoveu o “Debate: Direito à Informação e a construção de uma rede de comunicação”, no último dia 3, evento em que lançamos o nosso portal (www.fem.org.br) que contou com a rica palestra da professora e mestre em comunicação e semiótica pela PUC-SP, Michelle Prazeres.
Na sua explanação, a professora versou os desafios para construir uma rede de comunicação que conceda ao cidadão/cidadã o direito à informação, reforçando que “uma sociedade só pode ser chamada de democrática quando as diversas vozes, opiniões e culturas que a compõem têm espaço para se manifestar”.
Devido ao monopólio da mídia -- as principais redes de comunicação do país estão nas mãos de apenas nove famílias – a classe trabalhadora não tem exercido este direito. Esta mídia que está aí é a porta voz da elite brasileira que jamais aceitou, ou melhor, engoliu a vitória de um metalúrgico, ex-sindicalista duas vezes na presidência da República. A cobertura dos principais temas da conjuntura social e econômica é um forte exemplo. A maioria dos jornais tem divulgado mais o “aspecto” negativo da crise, espalhando um clima de insegurança no país. Já as medidas adotadas pelo governo Lula para combater os efeitos da crise são noticiadas com críticas e desconfiança. O novo pacote da habitação é um exemplo. Um dia após o seu lançamento, boa parte da imprensa detonou o pacote.
Agora com o assunto é o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) a cobertura é bem diferente. A mídia paulistana tem feito uma blindagem das ações do governo estadual, que tem gastado milhões de reais em propaganda em obras, visando as eleições presidenciais de 2010. No que tange à crise, o governo do Estado tem sido ausente, mas, infelizmente, isso não é “notícia”, assim como os gastos exorbitantes em publicidade.
Para que possamos enfrentar o monopólio da mídia e disputar a sua hegemonia é preciso que ocupar mais espaços, que deem visibilidade e voz aos instrumentos que dialogam com a nossa realidade. A Revista do Brasil e a Rádio Brasil Atual são instrumentos importantes que têm feito um contraponto com a imprensa oficial.
Mas é precisar avançar mais. A luta pelo Direito à Informação sempre estará no centro das nossas ações e contamos com apoio de todos e todas para fazer valer este direito.
Manoel Neres é Secretário de Imprensa e Comunicação da FEM-CUTSP
2009-04-15 17:54:58